terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jiu-jitsu brasileiro


Jiu-jitsu brasileiro
Ideograma kanji de jiu jitsu.
Informação geral
PráticaEsporte de combate
FocoFinalização, submissão
Local de origem Brasil
Criador(es)Mitsuyo Maeda
Carlos Gracie
Hélio Gracie
Luiz França
Oswaldo Fadda
Técnica(s) principal(is)Ne waza
Katame waza
Técnica(s) secundária(s)Nage waza
PraticanteJujutsuka
Grafia
Outros nomesBJJ, Gracie jiu-jitsu
Relação com outras modalidades
Antecedente(s)Jiu-jitsu
Influente(s)Luta livre
Descendente(s)Morganti ju-jitsu
Outras informações
Esporte olímpicoNão
Praticantes notóriosAlexandre RibeiroAntônio Rodrigo NogueiraAntônio Rogério NogueiraBJ Penn,Demian MaiaFábio Gurgel,Fabricio WerdumFamília GracieFrank MirGabriel GonzagaGeorges St-Pierre,Marcelo GarciaRonaldo SouzaRousimar Palhares,Shinya AokiVitor Belfort
Sítio oficialhttp://www.cbjj.com.br/
Cronologia das artes marciais  · Lista de artes marciais  · Projeto Artes Marciais
Jiu-jitsu brasileiro (em japonêsブラジルの柔術Burajiru no jūjutsu), ou jiu-jitsu Gracie (em inglêsGracie jiu-jutsu) é uma arte marcial brasileira e estilo de jiu-jitsu baseado no Kodokan Judo (ou simplesmente Judo - criado por Jigoro Kano) desenvolvido, aperfeiçoado e difundido pela família Gracie, no início do século XX, e que, com exceção do Judo, se tornou a forma mais difundida e praticada do jiu-jitsu no mundo, principalmente depois das primeiras edições dos torneios de artes marciais mistas (MMA), o UFC, nos idos da década de 1990.[1]
Apesar do nome da modalidade ser jiu-jitsu, na verdade, a esta foi desenvolvida com especialização e ênfase das técnicas de solo e controle, ne waza e katame waza do Judo (ou Kano Ju Jutsu), e com menos ênfase às técnicas de luta executadas de pé, tate waza. Por não serem o foco principal da modalidade, os golpes de ate waza acabam tendo papel coadjuvante e/ou intermédio para a execução de um golpe final de submissão do adversário.[2]
O criador do estilo foi, em princípio, Carlos Gracie, que adaptou o Jiu Jitsu de Mitsuyo Maeda (Kodokan Ju Jutsu, ou Judô) com ênfase à luta de solo, haja visto que seu porte físico punha-lhe em severa desvantagem contra adversários de maior porte. Partindo do princípio de que numa luta de solo, quando projeções ou mesmo chutes e socos não são eficientes, mas alavancas, sim, o porte físico dos contendores torna-se de somenos importância. Nessa situação, aquele que tiver melhor técnica possuirá consequentemente a vantagem.[3]
Se não foram originais em adaptar uma arte marcial provecta, haja vista que no Japão isso já há muito ocorrera com o Aikidô e o próprio judô, oriundos do ju-jutsu, com o Karatê, oriundo do te-jutsu de Okinawa, ou mesmo no resto do mundo como o krav maga(Israel) ou a capoeira regional (Brasil), Carlos Gracie e depois Hélio Gracie foram originais em criar um paradigma que prima pela efetividade. Comprovado seu sucesso em competições, o jiu-jitsu brasileiro serviu de cerne do que viria a ser a modalidade artes marciais mistas.[1]

Índice

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[editar]História

[editar]Começo no Brasil

No século XIXmestres de artes marciais japonesas migraram do Japão para outros continentes, vivendo do ensino dessas artes e de lutas que realizavam.
Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, foi um grande praticante de Kodokan Judo, nos primórdios deste, tendo obtido o 4º Dan. Depois de percorrer vários países com seu grupo, chegou ao Brasil em 1915 e fixou residência em Belém do Pará, existindo até hoje nessa cidade a Academia Conde Coma. Um ano depois, conheceu Gastão Gracie. Maeda ensinou um grupo que incluía, entre outros, Luiz França,(link) futuro professor do mestre Oswaldo Fadda. Gastão era pai de oito filhos, sendo cinco homens, tornou-se então entusiasta da arte marcial japonesa e levou seu filho Carlos Gracie para aprendê-la.
Pequeno e frágil por natureza, Carlos encontrou no judo (na época ainda conhecido como "Kano jiu-jitsu", tendo vindo somente a popularizar-se com o nome Judo após 1925) o meio de realização pessoal que lhe faltava. Com dezenove anos de idade, transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família, sendo professor dessa arte marcial e lutador. Viajou por outros estados brasileiros, ministrando aulas e vencendo adversários mais fortes fisicamente.
Em 1925, voltando ao Rio de Janeiro e abrindo a primeira Academia Gracie de jiu-jitsu, convidou seus irmãos Osvaldo e Gastão para assessorá-lo e assumiu a criação dos menores George, com quatorze anos, e Hélio Gracie, com doze. A partir daí, Carlos transmitiu seus conhecimentos aos irmãos, adequando e aperfeiçoando a técnica à condição física franzina, característica de sua família.
Também transmitiu-lhes sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o jiu-jitsu em sinônimo de saúde.
Detentor de uma eficiente técnica de defesa pessoalCarlos Gracie vislumbrou no jiu-jitsu um meio para se tornar um homem mais tolerante, respeitoso e autoconfiante. Com o objetivo de provar a superioridade do jiu-jitsu e formar uma tradição familiar, Carlos Gracie desafiou grandes lutadores da época e passou a gerenciar a carreira dos irmãos.
Lutando contra adversários vinte, trinta quilos mais pesados, os Gracie logo conseguiram fama e notoriedade nacional. Atraídos pelo novo mercado que se abriu em torno do jiu-jitsu, muitos japoneses vieram para o Rio de Janeiro, porém nenhum deles formou uma escola tão sólida quanto a da Academia Gracie, pois o jiu-jitsu praticado por eles privilegiava somente as quedas (já vinham com a formação da Kodokan do mestre Jigoro Kano), já o dos Gracie enfatizava a especialização: após a queda, continuava-se a luta ao chão e se usavam os golpes finalizadores, o que resultou numa espécie de luta livre de quimono.
Nota: No japão, uma variante do Kodokan Judo, chamada de Kosen Judo permaneceu fiel ao que foi ensinado por Conde Koma aos Gracie, não só com ẽnfase nas técnicas de projeção, mas também na continuação no solo (Ne-Waza e Katame-Waza) até a submissão do adversário.
Espada japonesa mostrando a lâmina manga habaki e a mão guarda tsuba

Ao modificar as regras internacionais do judo e jiu-jitsu japonês nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial.
Anos depois, a arte marcial passou a ser denominada de gracie jiu-jitsu ou brazilian jiu-jitsu, sendo exportada para o mundo todo, até mesmo para o Japão.
Hélio Gracie passa a ser o grande nome e difusor do jiu-jitsu, formando inúmeros discípulos, dentre eles Flavio Behring. George Gracie foi um desbravador, viajou por todo o Brasil, no entanto estimulou o jiu-jitsu principalmente em São Paulo, tendo como alunos nomes como Nahum RabayCandocaOsvaldo CarnivalleRomeu Bertho,Otávio de Almeida, dentre outros.
Royce Gracie e Rickson Gracie, filhos de Hélio Gracie, merecem um capítulo à parte pelo valor com que se impuseram como gladiadores e difusores da técnica e eficiência do jiu-jitsu nas arenas dos Estados Unidos e do Japão.
O jiu-jitsu hoje é o esporte individual que mais cresce no país: possui cerca de 350 mil praticantes com 1.500 estabelecimentos de ensino somente nas grandes capitais. Na parte de educação, o ensino do jiu-jitsu ganhou cadeira como matéria universitária (Universidade Gama Filho).
Com a criação da Federação de Jiu-Jitsu Brasileiro, as regras e o sistema de graduação foram sistematizados, dando início a era dos campeonatos esportivos. Hoje mais organizado, o Jiu-Jitsu Brasileiro já conta com uma Confederação e uma Federação Internacional, fundadas por Carlos Gracie Jr. como presidente (das duas entidades) e José Henrique Leão Teixeira Filho como vice-presidente da CBJJ, os dois partiram para uma organização nunca vista antes em competições de jiu-jitsu, as competições nacionais e internacionais que vem sendo realizadas, confirmam a superioridade dos lutadores brasileiros, considerados os melhores do mundo, e projetaram o jiu-jitsu ou brazilian jiu-jitsu, como a arte marcial que mais cresce no mundo atualmente.
Desde 1996, o Mundial de jiu-jitsu sempre foi disputado no Rio de Janeiro, exceto em 2007, quando ocorreu nos Estados Unidos da América.
Na década de 1990, o shihan Ricardo Morganti fundou no Brasil um novo estilo de Jiu-jitsu, denominado Morganti ju-jitsu.

[editar]Jiu-jitsu brasileiro em Portugal

O Jiu-jitsu chegou a Portugal em 1996 pelas mãos do professor Lauro Figueirôa, que foi com o objetivo de difundir o jiu-jitsu Gracie. Apesar de pouco ou quase nenhum recurso, conseguiu angariar bastantes alunos.
Em 1997 foi quando se realizou o primeiro capeonato da modalidade, realizado dentro da discoteca Bafureira Beach Club (antigo Scala), em São Pedro do Estoril.
Em 1998, o professor Lauro Figueiroa em conjunto com o Grupo SuperStar promoveu o primeiro confronto de vale-tudo em Portugal, entre o o próprio professor, representando o jiu-jitsu e o Mestre Pichote, representando a Capoeira (luta demonstração).
Em 2000, houve a disputa do primeiro Cinturão português de Vale-tudo, entre o Lauro, contra o tricampeão francês de Free-Fight, Eurico Soares. Luta vencida por Lauro pornocaute aos 30 segundos do primeiro round. Compareceram ao evento mais de 4.000.
Em 2001, em viagem ao Rio de Janeiro, o Lauro Figueiroa recebeu o convite do Grande Mestre Carlos Gracie Jr. para representar oficialmente a família Gracie em Portugal. Em 2002, devido ao grande crescimento do jiu-jitsu em Portugal e à imigração de muitos professores de Jiu-jitsu, Lauro funda a Associação Luso-Brasileira de Jiu-Jitsu e realiza a 25 de abril deste ano o 1º Campeonato Nacional de Jiu-jitsu Brasileiro. Neste mesmo ano o Profº Lauro F. organiza e prepara a primeira seleção portuguesa de Jiu-jitsu, que viaja com ele para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro - Brasil, trazendo como resultado uma medalha de prata da atleta Carolina Prado e um quarto lugar.
Em 2003, novamente o professor Lauro Figueiroa leva uma delegação portuguesa para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro - Brasil, trazendo mais uma medalha de prata da atleta Carolina Prado e no mesmo ano no Campeonato Master e Senior leva atletas onde conquintam uma medalha de ouro e outra de bronze.
O jiu-jitsu começou a ter maior número de praticantes a partir de 2000/2001, quando se abriram varias academias na zona de Lisboa.
Em 2003, a academia Brigadeiro perdeu o professor Marcos Koji e chegaram a Portugal os professores Marcelo Bernardo e Arnaldo "Pitbull" Santos para dar continuidade ao trabalho feito por Koji.
Em 2004, a Associação Luso-Brasileira de Jiu-Jitsu dirigida pelo professor Lauro, em parceria com a Confederação Brasileira e a Federação Internacional de Jiu-Jitsu, realiza o 1º Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu da história e com grande sucesso conseguem a participação de atletas de mais de dez paises oriundos não só da Europa, como também dasAméricas e da Ásia.
Neste mesmo ano, Lauro Figueirôa passa a representar a International Budo Union e recebe o cargo de delegado para todo Brasil a convite do Grande Mestre Pedro Dabauza, nono dan de Jiu-jitsu tradicional.
Atualmente o Jiu-jitsu está espalhado por Portugal por conta de muitos alunos formados para o ensino do Jiu-Jitsu Brasileiro, entre outros professores que imigraram.

[editar]Graduação

Adotam-se as seguintes divisões de faixas no jiu-jitsu desportivo brasileiro para seus praticantes, conforme suas experiências e habilidades:
  • Branca (iniciante, qualquer idade)
  • Cinza (4 a 6 anos)
  • Amarela (7 a 15 anos)
  • Laranja (10 a 15 anos)
  • Verde (13 a 15 anos)
  • Azul (16 anos ou mais (até 4º grau)
  • Roxa (16 anos ou mais (até 4º grau)
  • Marrom (18 anos ou mais (até 4º grau))
  • Preta (19 anos ou mais (até o 6º grau)
  • Preta e vermelha - coral (7º e 8º graus. Título de mestre)
  • Vermelha (nono e décimo graus. O último grau foi dado somente aos criadores do Jiu-Jitsu brasileiro; somente os mestres Carlos Gracie, George Gracie, Oswaldo Gracie, Gastão Gracie, Julio Secco, Hélio Gracie, Armando Wriedt (ainda em vida).
Os critérios de graus na faixa preta são:
  • 1º ao 3º - três anos cada, nove ao todo
  • 4º ao 6º - mais cinco anos cada, quinze ao todo
  • 7º ao 8º - mais dez anos cada, vinte ao todo
  • 9º - mais quinze anos
  • 10º - reservada apenas aos criadores da modalidade

[editar]Associações no Brasil

[editar]Técnicas, golpes e regras

O jiu-jitsu brasileiro tradicionalmente é lutado com kimono trançado (embora haja a modalidade jiu-jitsu sem kimono) e as técnicas visam levar o adversário a uma posição chamada de finalização, o que significa que, se levada adiante, causaria a fratura de um osso ou a morte por asfixia respiratória ou circulatória. A posição de finalização pode ser:
  • reconhecida intencionalmente e manifestamente pelo derrotado através de dois tapas seguidos com a mão (ou, se as duas mãos estiverem presas, com o pé) no solo (tatame), no próprio corpo ou no do adversário; ou ainda por qualquer manifestação verbal que indique o desejo de parar a luta.
  • reconhecida não intencionalmente pelo derrotado, através de gritos como "ai".
  • requerida pelo técnico ou treinador do derrotado.
  • avaliada pelo árbitro (nocaute técnico).
Quando o tempo da luta se exaure sem que haja uma finalização, é declarado vencedor aquele que ganhou mais pontos ou, em caso de empate, mais vantagens. Se persistir o empate, há a contagem por punições e, sucessivamente, uma avaliação subjetiva da arbitragem.
São contados dois pontos para queda, dois pontos para raspagem (derrubada de adversário já no solo), três pontos para passagem de guarda (situação em que o lutador consegue transpor as pernas do adversário, chegando à posição lateral, terminando numa imobilização estabilizada em três segundos), quatro pontos para montada ou ataque pelas costas.
São contadas vantagens para passagens ou montadas não estabilizadas, bem como golpes encaixados que não resultem em finalização. A punição pode ocorrer em várias situações, notadamente, em caso de pouca combatividade ("amarração") de quem estiver em vantagem, aproveitando-se de tal situação para deixar o tempo passar sem risco de reversão, mesmo após três advertências.
Alguns dos golpes mais conhecidos:
  • De braço: arm-lock, chave americana, chave kimura, chave de bíceps.
  • De mão: mão-de-vaca.
  • Estrangulamentos: mata-leão, triângulo, ezequiel.

[editar]Golpes proibidos (CBJJ)

Exemplo de luta

[editar]De 04 a 12 anos

  • Bate estaca
  • Chave de bíceps
  • Mão de vaca
  • Triângulo puxando a cabeça
  • Chave de pé (todas as formas)
  • Chave de joelho, leg-lock
  • Cervical
  • Mata leão de frente
  • Ezequiel
  • Chave de panturrilha
  • Omoplata
  • Gravata técnica de frente
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar
  • Gogo plata
  • Omoplta de mão

[editar]De 13 a 15 anos

  • Bate estaca
  • Chave de bíceps
  • Mão de vaca
  • Triângulo puxando a cabeça
  • Chave de pé (todas as formas)
  • Chave de joelho, leg-lock
  • Cervical
  • Mata leão de frente
  • Ezequiel
  • Chave de panturrilha
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]De 16 a 17 anos e adulto faixa branca

  • Bate estaca,
  • Leg lock
  • Cervical
  • Chave de bíceps
  • Chave de panturrilha
  • Mão de vaca
  • Mata leão no pé
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]De adulto a sênior 5 (faixas azul e roxa)

  • Mata leão no pé
  • Bate estaca
  • Leg lock
  • Cervical
  • Chave de bíceps
  • Chave de panturrilha
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]Adulto a sênior 5 (faixas marrom e preta)

  • Bate estaca
  • Cervical
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar