terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jiu-jitsu brasileiro


Jiu-jitsu brasileiro
Ideograma kanji de jiu jitsu.
Informação geral
PráticaEsporte de combate
FocoFinalização, submissão
Local de origem Brasil
Criador(es)Mitsuyo Maeda
Carlos Gracie
Hélio Gracie
Luiz França
Oswaldo Fadda
Técnica(s) principal(is)Ne waza
Katame waza
Técnica(s) secundária(s)Nage waza
PraticanteJujutsuka
Grafia
Outros nomesBJJ, Gracie jiu-jitsu
Relação com outras modalidades
Antecedente(s)Jiu-jitsu
Influente(s)Luta livre
Descendente(s)Morganti ju-jitsu
Outras informações
Esporte olímpicoNão
Praticantes notóriosAlexandre RibeiroAntônio Rodrigo NogueiraAntônio Rogério NogueiraBJ Penn,Demian MaiaFábio Gurgel,Fabricio WerdumFamília GracieFrank MirGabriel GonzagaGeorges St-Pierre,Marcelo GarciaRonaldo SouzaRousimar Palhares,Shinya AokiVitor Belfort
Sítio oficialhttp://www.cbjj.com.br/
Cronologia das artes marciais  · Lista de artes marciais  · Projeto Artes Marciais
Jiu-jitsu brasileiro (em japonêsブラジルの柔術Burajiru no jūjutsu), ou jiu-jitsu Gracie (em inglêsGracie jiu-jutsu) é uma arte marcial brasileira e estilo de jiu-jitsu baseado no Kodokan Judo (ou simplesmente Judo - criado por Jigoro Kano) desenvolvido, aperfeiçoado e difundido pela família Gracie, no início do século XX, e que, com exceção do Judo, se tornou a forma mais difundida e praticada do jiu-jitsu no mundo, principalmente depois das primeiras edições dos torneios de artes marciais mistas (MMA), o UFC, nos idos da década de 1990.[1]
Apesar do nome da modalidade ser jiu-jitsu, na verdade, a esta foi desenvolvida com especialização e ênfase das técnicas de solo e controle, ne waza e katame waza do Judo (ou Kano Ju Jutsu), e com menos ênfase às técnicas de luta executadas de pé, tate waza. Por não serem o foco principal da modalidade, os golpes de ate waza acabam tendo papel coadjuvante e/ou intermédio para a execução de um golpe final de submissão do adversário.[2]
O criador do estilo foi, em princípio, Carlos Gracie, que adaptou o Jiu Jitsu de Mitsuyo Maeda (Kodokan Ju Jutsu, ou Judô) com ênfase à luta de solo, haja visto que seu porte físico punha-lhe em severa desvantagem contra adversários de maior porte. Partindo do princípio de que numa luta de solo, quando projeções ou mesmo chutes e socos não são eficientes, mas alavancas, sim, o porte físico dos contendores torna-se de somenos importância. Nessa situação, aquele que tiver melhor técnica possuirá consequentemente a vantagem.[3]
Se não foram originais em adaptar uma arte marcial provecta, haja vista que no Japão isso já há muito ocorrera com o Aikidô e o próprio judô, oriundos do ju-jutsu, com o Karatê, oriundo do te-jutsu de Okinawa, ou mesmo no resto do mundo como o krav maga(Israel) ou a capoeira regional (Brasil), Carlos Gracie e depois Hélio Gracie foram originais em criar um paradigma que prima pela efetividade. Comprovado seu sucesso em competições, o jiu-jitsu brasileiro serviu de cerne do que viria a ser a modalidade artes marciais mistas.[1]

Índice

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[editar]História

[editar]Começo no Brasil

No século XIXmestres de artes marciais japonesas migraram do Japão para outros continentes, vivendo do ensino dessas artes e de lutas que realizavam.
Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, foi um grande praticante de Kodokan Judo, nos primórdios deste, tendo obtido o 4º Dan. Depois de percorrer vários países com seu grupo, chegou ao Brasil em 1915 e fixou residência em Belém do Pará, existindo até hoje nessa cidade a Academia Conde Coma. Um ano depois, conheceu Gastão Gracie. Maeda ensinou um grupo que incluía, entre outros, Luiz França,(link) futuro professor do mestre Oswaldo Fadda. Gastão era pai de oito filhos, sendo cinco homens, tornou-se então entusiasta da arte marcial japonesa e levou seu filho Carlos Gracie para aprendê-la.
Pequeno e frágil por natureza, Carlos encontrou no judo (na época ainda conhecido como "Kano jiu-jitsu", tendo vindo somente a popularizar-se com o nome Judo após 1925) o meio de realização pessoal que lhe faltava. Com dezenove anos de idade, transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família, sendo professor dessa arte marcial e lutador. Viajou por outros estados brasileiros, ministrando aulas e vencendo adversários mais fortes fisicamente.
Em 1925, voltando ao Rio de Janeiro e abrindo a primeira Academia Gracie de jiu-jitsu, convidou seus irmãos Osvaldo e Gastão para assessorá-lo e assumiu a criação dos menores George, com quatorze anos, e Hélio Gracie, com doze. A partir daí, Carlos transmitiu seus conhecimentos aos irmãos, adequando e aperfeiçoando a técnica à condição física franzina, característica de sua família.
Também transmitiu-lhes sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o jiu-jitsu em sinônimo de saúde.
Detentor de uma eficiente técnica de defesa pessoalCarlos Gracie vislumbrou no jiu-jitsu um meio para se tornar um homem mais tolerante, respeitoso e autoconfiante. Com o objetivo de provar a superioridade do jiu-jitsu e formar uma tradição familiar, Carlos Gracie desafiou grandes lutadores da época e passou a gerenciar a carreira dos irmãos.
Lutando contra adversários vinte, trinta quilos mais pesados, os Gracie logo conseguiram fama e notoriedade nacional. Atraídos pelo novo mercado que se abriu em torno do jiu-jitsu, muitos japoneses vieram para o Rio de Janeiro, porém nenhum deles formou uma escola tão sólida quanto a da Academia Gracie, pois o jiu-jitsu praticado por eles privilegiava somente as quedas (já vinham com a formação da Kodokan do mestre Jigoro Kano), já o dos Gracie enfatizava a especialização: após a queda, continuava-se a luta ao chão e se usavam os golpes finalizadores, o que resultou numa espécie de luta livre de quimono.
Nota: No japão, uma variante do Kodokan Judo, chamada de Kosen Judo permaneceu fiel ao que foi ensinado por Conde Koma aos Gracie, não só com ẽnfase nas técnicas de projeção, mas também na continuação no solo (Ne-Waza e Katame-Waza) até a submissão do adversário.
Espada japonesa mostrando a lâmina manga habaki e a mão guarda tsuba

Ao modificar as regras internacionais do judo e jiu-jitsu japonês nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial.
Anos depois, a arte marcial passou a ser denominada de gracie jiu-jitsu ou brazilian jiu-jitsu, sendo exportada para o mundo todo, até mesmo para o Japão.
Hélio Gracie passa a ser o grande nome e difusor do jiu-jitsu, formando inúmeros discípulos, dentre eles Flavio Behring. George Gracie foi um desbravador, viajou por todo o Brasil, no entanto estimulou o jiu-jitsu principalmente em São Paulo, tendo como alunos nomes como Nahum RabayCandocaOsvaldo CarnivalleRomeu Bertho,Otávio de Almeida, dentre outros.
Royce Gracie e Rickson Gracie, filhos de Hélio Gracie, merecem um capítulo à parte pelo valor com que se impuseram como gladiadores e difusores da técnica e eficiência do jiu-jitsu nas arenas dos Estados Unidos e do Japão.
O jiu-jitsu hoje é o esporte individual que mais cresce no país: possui cerca de 350 mil praticantes com 1.500 estabelecimentos de ensino somente nas grandes capitais. Na parte de educação, o ensino do jiu-jitsu ganhou cadeira como matéria universitária (Universidade Gama Filho).
Com a criação da Federação de Jiu-Jitsu Brasileiro, as regras e o sistema de graduação foram sistematizados, dando início a era dos campeonatos esportivos. Hoje mais organizado, o Jiu-Jitsu Brasileiro já conta com uma Confederação e uma Federação Internacional, fundadas por Carlos Gracie Jr. como presidente (das duas entidades) e José Henrique Leão Teixeira Filho como vice-presidente da CBJJ, os dois partiram para uma organização nunca vista antes em competições de jiu-jitsu, as competições nacionais e internacionais que vem sendo realizadas, confirmam a superioridade dos lutadores brasileiros, considerados os melhores do mundo, e projetaram o jiu-jitsu ou brazilian jiu-jitsu, como a arte marcial que mais cresce no mundo atualmente.
Desde 1996, o Mundial de jiu-jitsu sempre foi disputado no Rio de Janeiro, exceto em 2007, quando ocorreu nos Estados Unidos da América.
Na década de 1990, o shihan Ricardo Morganti fundou no Brasil um novo estilo de Jiu-jitsu, denominado Morganti ju-jitsu.

[editar]Jiu-jitsu brasileiro em Portugal

O Jiu-jitsu chegou a Portugal em 1996 pelas mãos do professor Lauro Figueirôa, que foi com o objetivo de difundir o jiu-jitsu Gracie. Apesar de pouco ou quase nenhum recurso, conseguiu angariar bastantes alunos.
Em 1997 foi quando se realizou o primeiro capeonato da modalidade, realizado dentro da discoteca Bafureira Beach Club (antigo Scala), em São Pedro do Estoril.
Em 1998, o professor Lauro Figueiroa em conjunto com o Grupo SuperStar promoveu o primeiro confronto de vale-tudo em Portugal, entre o o próprio professor, representando o jiu-jitsu e o Mestre Pichote, representando a Capoeira (luta demonstração).
Em 2000, houve a disputa do primeiro Cinturão português de Vale-tudo, entre o Lauro, contra o tricampeão francês de Free-Fight, Eurico Soares. Luta vencida por Lauro pornocaute aos 30 segundos do primeiro round. Compareceram ao evento mais de 4.000.
Em 2001, em viagem ao Rio de Janeiro, o Lauro Figueiroa recebeu o convite do Grande Mestre Carlos Gracie Jr. para representar oficialmente a família Gracie em Portugal. Em 2002, devido ao grande crescimento do jiu-jitsu em Portugal e à imigração de muitos professores de Jiu-jitsu, Lauro funda a Associação Luso-Brasileira de Jiu-Jitsu e realiza a 25 de abril deste ano o 1º Campeonato Nacional de Jiu-jitsu Brasileiro. Neste mesmo ano o Profº Lauro F. organiza e prepara a primeira seleção portuguesa de Jiu-jitsu, que viaja com ele para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro - Brasil, trazendo como resultado uma medalha de prata da atleta Carolina Prado e um quarto lugar.
Em 2003, novamente o professor Lauro Figueiroa leva uma delegação portuguesa para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro - Brasil, trazendo mais uma medalha de prata da atleta Carolina Prado e no mesmo ano no Campeonato Master e Senior leva atletas onde conquintam uma medalha de ouro e outra de bronze.
O jiu-jitsu começou a ter maior número de praticantes a partir de 2000/2001, quando se abriram varias academias na zona de Lisboa.
Em 2003, a academia Brigadeiro perdeu o professor Marcos Koji e chegaram a Portugal os professores Marcelo Bernardo e Arnaldo "Pitbull" Santos para dar continuidade ao trabalho feito por Koji.
Em 2004, a Associação Luso-Brasileira de Jiu-Jitsu dirigida pelo professor Lauro, em parceria com a Confederação Brasileira e a Federação Internacional de Jiu-Jitsu, realiza o 1º Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu da história e com grande sucesso conseguem a participação de atletas de mais de dez paises oriundos não só da Europa, como também dasAméricas e da Ásia.
Neste mesmo ano, Lauro Figueirôa passa a representar a International Budo Union e recebe o cargo de delegado para todo Brasil a convite do Grande Mestre Pedro Dabauza, nono dan de Jiu-jitsu tradicional.
Atualmente o Jiu-jitsu está espalhado por Portugal por conta de muitos alunos formados para o ensino do Jiu-Jitsu Brasileiro, entre outros professores que imigraram.

[editar]Graduação

Adotam-se as seguintes divisões de faixas no jiu-jitsu desportivo brasileiro para seus praticantes, conforme suas experiências e habilidades:
  • Branca (iniciante, qualquer idade)
  • Cinza (4 a 6 anos)
  • Amarela (7 a 15 anos)
  • Laranja (10 a 15 anos)
  • Verde (13 a 15 anos)
  • Azul (16 anos ou mais (até 4º grau)
  • Roxa (16 anos ou mais (até 4º grau)
  • Marrom (18 anos ou mais (até 4º grau))
  • Preta (19 anos ou mais (até o 6º grau)
  • Preta e vermelha - coral (7º e 8º graus. Título de mestre)
  • Vermelha (nono e décimo graus. O último grau foi dado somente aos criadores do Jiu-Jitsu brasileiro; somente os mestres Carlos Gracie, George Gracie, Oswaldo Gracie, Gastão Gracie, Julio Secco, Hélio Gracie, Armando Wriedt (ainda em vida).
Os critérios de graus na faixa preta são:
  • 1º ao 3º - três anos cada, nove ao todo
  • 4º ao 6º - mais cinco anos cada, quinze ao todo
  • 7º ao 8º - mais dez anos cada, vinte ao todo
  • 9º - mais quinze anos
  • 10º - reservada apenas aos criadores da modalidade

[editar]Associações no Brasil

[editar]Técnicas, golpes e regras

O jiu-jitsu brasileiro tradicionalmente é lutado com kimono trançado (embora haja a modalidade jiu-jitsu sem kimono) e as técnicas visam levar o adversário a uma posição chamada de finalização, o que significa que, se levada adiante, causaria a fratura de um osso ou a morte por asfixia respiratória ou circulatória. A posição de finalização pode ser:
  • reconhecida intencionalmente e manifestamente pelo derrotado através de dois tapas seguidos com a mão (ou, se as duas mãos estiverem presas, com o pé) no solo (tatame), no próprio corpo ou no do adversário; ou ainda por qualquer manifestação verbal que indique o desejo de parar a luta.
  • reconhecida não intencionalmente pelo derrotado, através de gritos como "ai".
  • requerida pelo técnico ou treinador do derrotado.
  • avaliada pelo árbitro (nocaute técnico).
Quando o tempo da luta se exaure sem que haja uma finalização, é declarado vencedor aquele que ganhou mais pontos ou, em caso de empate, mais vantagens. Se persistir o empate, há a contagem por punições e, sucessivamente, uma avaliação subjetiva da arbitragem.
São contados dois pontos para queda, dois pontos para raspagem (derrubada de adversário já no solo), três pontos para passagem de guarda (situação em que o lutador consegue transpor as pernas do adversário, chegando à posição lateral, terminando numa imobilização estabilizada em três segundos), quatro pontos para montada ou ataque pelas costas.
São contadas vantagens para passagens ou montadas não estabilizadas, bem como golpes encaixados que não resultem em finalização. A punição pode ocorrer em várias situações, notadamente, em caso de pouca combatividade ("amarração") de quem estiver em vantagem, aproveitando-se de tal situação para deixar o tempo passar sem risco de reversão, mesmo após três advertências.
Alguns dos golpes mais conhecidos:
  • De braço: arm-lock, chave americana, chave kimura, chave de bíceps.
  • De mão: mão-de-vaca.
  • Estrangulamentos: mata-leão, triângulo, ezequiel.

[editar]Golpes proibidos (CBJJ)

Exemplo de luta

[editar]De 04 a 12 anos

  • Bate estaca
  • Chave de bíceps
  • Mão de vaca
  • Triângulo puxando a cabeça
  • Chave de pé (todas as formas)
  • Chave de joelho, leg-lock
  • Cervical
  • Mata leão de frente
  • Ezequiel
  • Chave de panturrilha
  • Omoplata
  • Gravata técnica de frente
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar
  • Gogo plata
  • Omoplta de mão

[editar]De 13 a 15 anos

  • Bate estaca
  • Chave de bíceps
  • Mão de vaca
  • Triângulo puxando a cabeça
  • Chave de pé (todas as formas)
  • Chave de joelho, leg-lock
  • Cervical
  • Mata leão de frente
  • Ezequiel
  • Chave de panturrilha
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]De 16 a 17 anos e adulto faixa branca

  • Bate estaca,
  • Leg lock
  • Cervical
  • Chave de bíceps
  • Chave de panturrilha
  • Mão de vaca
  • Mata leão no pé
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]De adulto a sênior 5 (faixas azul e roxa)

  • Mata leão no pé
  • Bate estaca
  • Leg lock
  • Cervical
  • Chave de bíceps
  • Chave de panturrilha
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

[editar]Adulto a sênior 5 (faixas marrom e preta)

  • Bate estaca
  • Cervical
  • Kanibasami (tesoura)
  • Chave de calcanhar

sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Judô

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Espada japonesa mostrando a lâmina manga habaki e a mão guarda tsuba
Judô em kanji.
Judô (português brasileiro) ou judo (português europeu) (柔道 Jūdō?, caminho suave, ou caminho da suavidade) é um desporto praticado como arte marcial, fundado por Jigoro Kano em 1882. Os seus principais objetivos são fortalecer o físico, a mente e o espírito de forma integrada, além de desenvolver técnicas de defesa pessoal.[1]
O judo teve uma grande aceitação em todo o mundo, pois Kano conseguiu reunir a essência dos principais estilos e escolas de jujutsu, arte marcial praticada pelos "bushi", ou cavaleiros durante o período Kamakura (1185-1333), a outras artes de luta praticadas no Oriente e fundi-las numa única e básica. O judô foi considerado desporto oficial no Japão nos finais do século XIX e a polícia nipônica introduziu-o nos seus treinos. O primeiro clube judoca na Europa foi o londrino Budokway (1918).
A vestimenta utilizada nessa modalidade é o keikogi (quimono), que no judô recebe o nome de judogui e que, com o cinturão, forma o equipamento necessário à sua prática. O judogui que é composto pelo casaco (Wagui), pela calça (Shitabaki) e também pela faixa (obi), o judogui pode ser branco ou azul, ainda que o azul seja quase apenas utilizado para facilitar as arbitragens em campeonatos oficiais.
Com milhares de praticantes e federações espalhados pelo mundo, o judô se tornou um dos esportes mais praticados, representando um nicho de mercado fiel e bem definido. Não restringindo seus adeptos a homens com vigor físico e estendendo seus ensinamentos para mulheres, crianças e idosos, o judô teve um aumento significativo no número de praticantes.
Sua técnica utiliza basicamente a força e equilíbrio do oponente contra ele. Palavras ditas por mestre Kano para definir a luta: "arte em que se usa ao máximo a força física e espiritual". A vitória, ainda segundo seu mestre fundador, representa um fortalecimento espiritual.

Índice

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História

O judô é uma arte marcial esportiva. Foi criado no Japão, em 1882, pelo professor de Educação Física Jigoro Kano. Ao criar esta arte marcial, Kano tinha como objetivo criar uma técnica de defesa pessoal, além de desenvolver o físico, espírito e mente. Esta arte marcial chegou ao Brasil no ano de 1922, em pleno período da imigração japonesa.

Decadência e renascimento do jujutsu

Em 1864, o comandante Matthew Perry, comandante de uma expedição naval americana, obrigou o Japão a abrir seus portos ao mundo com o tratado "Comércio, Paz e Amizade". Abrindo seus portos para o ocidente, surgiu na Terra do Sol Nascente uma tremenda transformação políticos-social, denominada Era Meiji ou "Renascença Japonesa", promovido pelo imperador Mitsuhyto Meiji (1868-1912). Anteriormente, o imperador exercia sobre o povo influência e poderes espirituais, porém com a "Renascença Japonesa" ele passou a ser o comandante de fato da Terra das Cerejeiras.
Nessa dinâmica época de transformações e inovações radicais, os nipônicos ficaram ávidos por modernizar-se e adquirir a cultura ocidental. Tudo aquilo que era tradicional ficou um pouco esquecido, ou melhor, quase que totalmente renegado. Os mestres do jujutsu perderam as suas posições oficiais e viram-se forçados a procurar emprego em outros lugares. Muitos se voltaram então para a luta e exibição feitas.
A ordem proibindo os samurais de usar espadas em 1876 assinalou um declínio em todas as artes marciais, e com o jujutsu não foi uma exceção.
Tempos depois existiu uma onda contrária às inovações radicais. Havia terminado a onda chamada febre ocidental. O jujutsu foi recolocado na sua posição de arte marcial, tendo o seu valor reconhecido, principalmente pela polícia e pela marinha. Apesar de sua indiscutível eficiência para a defesa pessoal, o antigo jujutsu não podia ser considerado um esporte[2], muito menos ser praticado como tal. As regras não eram tratadas pedagogicamente, ou mesmo padronizadas. Os professores ensinavam às crianças os denominados golpes mortais e os traumatizantes e perigosos golpes baixos genitais[2]. Sendo assim, quase sempre, os alunos menos experientes faixas brancas a machucavam-se seriamente. Valendo-se de sua superioridade física, os maiores chegavam a espancar os menores e mais fracos. Tudo isso fazia com que o jujutsu gozasse de uma certa impopularidade, especialmente entre as pessoas mais esclarecidas.

Nascimento

Jigoro Kano
Baseado nesses inconvenientes,um jovem que na adolescência se sentia inferiorizado sempre que precisava desprender muita energia física para resolver um problema, resolveu modificar o tradicional [[1]], unificando os diferentes sistemas, transformando-o em um veículo de educação física[2].
Pessoa de alta cultura geral, ele era um esforçado cultor de jujutsu. Procurando encontrar explicações científicas aos golpes, baseados em leis de dinâmica, ação e reação, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de jujutsu,juntamente com os imigrantes japoneses dando ênfase principalmente no ataque aos pontos vitais e nas lutas de solo do estilo Tenshin-Shinyo-Ryu e nos golpes de projeção do estilo Kito-Ryu. Inseriu princípios básicos como os do equilíbrio, da gravidade e do sistema de alavancas nas execuções dos movimentos lógicos.
Estabeleceu normas a fim de tornar o aprendizado mais fácil e racional. Idealizou regras para um confronto esportivo, baseado no espírito doippon-shobu(luta pelo ponto completo). Procurou demonstrar que o jujutsu aprimorado, além de sua utilização para defesa pessoal, poderia oferecer aos praticantes, extraordinárias oportunidades no sentido de serem superadas as próprias limitações do ser humano.
Jigoro Kano tentava dar maior expressão à lenda de origem do estilo Yoshin-Ryu (Escola do Coração de Salgueiro), que se baseava no princípio de "ceder para vencer", utilizando a não resistência para controlar, desequilibrar e vencer o adversário com o mínimo de esforço. Em um combate, o praticante tinha como o único objetivo a vitória. No entender de Kano, isso era totalmente errado. Uma atividade física deveria servir, em primeiro lugar, para a educação global dos praticantes. Os cultores profissionais do jujutsu não aceitavam tal concepção. Para eles, o verdadeiro espírito do jujutsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte).
Por suas idéias, Jigoro Kano era desafiado e desacatado insistentemente pelos educadores da época, mas não mediu esforços para idealizar o novo jujutsu, diferente, mais completo, mais eficaz, muito mais objetivo e racional, denominado de judô. Chamando o seu novo sistema de judô, ele pretendeu elevar o termo "jutsu" (arte ou prática) para "do", ou seja, para caminho ou via, dando a entender que não se tratava apenas de mudança de nomes, mas que o seu novo sistema repousava sobre uma fundamentação filosófica[1].
Em fevereiro de 1882, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, Jigoro Kano inaugura sua primeira escola de Judô, denominada Kodokan[3] (Instituto do Caminho da Fraternidade), já que "Ko" significa fraternidade, irmandade; "Do" significa caminho, via; e "Kan", instituto.

No Brasil

No fim da década de 1910 e início da década seguinte, Takaharu (ou Takaji) Saigo, 4° dan de judô, ensinava a arte na cidade de São Paulo, em sua academia localizada na Rua Brigadeiro Luiz Antonio. Em 1922 e 1923, ele chegou a fazer demonstrações da arte perante personalidades políticas e militares da época e teve alunos tanto japoneses quanto não japoneses. Diz-se que Takaharu Saigo era neto de Takamori Saigo, um dos homens mais importantes da Restauração Meiji no Japão.
conde Coma (Mitsuyo Maeda), como também era conhecido, fez sua primeira apresentação em Porto Alegre. Partiu para as demonstrações pelos Estados do Rio de Janeiro eSão Paulo, transferindo-se depois para o Pará em outubro de 1925,[4] onde popularizou seus conhecimentos dessa arte. Outros mestres também faziam exibições e aceitavam desafios em locais públicos. Mas foi um início difícil para um esporte que viria a se tornar tão difundido.
Um dos primeiros torneios de judô foi realizado no dia 01 de maio de 1931 na cidade de Araçatuba, estado de São Paulo. Organizado por Yuzo Abematsu, 4o dan e ex-professor de judô da Escola Superior de Agronomia de Kagoshima, da Segunda Escola de Ensino Médio e do Batalhão da Polícia do Exército do Japão, o torneio incluiu lutas contra boxe eluta greco-romana.
O judô no Brasil passou a ser organizado e largamente difundido a partir de agosto de 1933, com a fundação da Hakkoku Jûkendô Renmei, a Federação de Judô e Kendô do Brasil, por ocasião do 25o aniversário da imigração japonesa ao Brasil. Do lado do judô, foram membros fundadores as seguintes personalidades: Katsutoshi NaitoTatsuo OkochiTeruo Sakata e Zensaku Yoshida.
Nessa época, além dos quatro mestres supracitados, o judô no Brasil contava também com o mestre Tomiyo Tomikawa e com Shigejiro Fukuoka, mestre de jujutsu tradicional. Estes seis mestres eram os principais expoentes do judô na época, dentro do âmbito da Hakkoku Jûkendô Renmei.
Um fator relevante na história do judô foi a chegada ao país de um grupo de nipônicos em 1938. Tinham como líder o professor Ryuzo Ogawa e fundaram a Academia Ogawa, com o objetivo de aprimorar a cultura física, moral e espiritual, por meio do esporte do quimono. Apesar de Ryuzo Ogawa ser um mestre de jujutsu tradicional, chamou de Judô a arte marcial que lecionava quando este nome se popularizou. Portanto, ensinava um estilo que não era exatamente o Kodokan Judo, o que não diminui sua enorme contribuição ao começo do Judô no Brasil. Daí por diante disseminaram-se a cultura e os ensinamentos do mestre Jigoro Kano e em 18 de março de 1969 era fundada a Confederação Brasileira de Judô, sendo reconhecida por decreto em 1972. Hoje em dia o judô é ensinado em academias e clubes e reconhecido como um esporte saudável que não está relacionado à violência. Esse processo culminou com a grande oferta de bons lutadores brasileiros atualmente, tendo conseguido diversos títulos internacionais.

Academia Terazaki

Réplica do primeiro templo de judô do Japão, o Kodokan, a Academia Terazaki, ou Clube Recreativo de Suzano Judô Terazaki, é a primeira academia de Judô da América e começou a ser construída no ano de 1937 por Tokuzo Terazaki, que idealizava difundir os ensinamentos do judô. A conclusão foi em 1952 e na construção contou com o apoio de muitas pessoas ligadas à colônia e até do Japão. A academia fica localizada na cidade de Suzano, região metropolitana de São Paulo.
Tokuzo Terazaki, ou mestre Terazaki, como é conhecido por seus discípulos, nasceu em 16 de agosto de 1906 em uma aldeia chamada Tominami, entre as cidade de Sihinjo e Yamagata, no Japão. Filho do sr. Tsuruki e D. Shingue, foi o terceiro filho.
Depois de terminar o curso primário, foi para a cidade de Yamagata onde matriculou-se na escola agrícola. Logo depois migrou para Tóquio, onde trabalhava na indústria Kubota de Ferro. Nas horas de folga treinava na academia do sr. Torakiti, Masateru Futakawa, onde aprendeu ju-jutsu com os fundadores do estilo.
Mais tarde no Kodokan, sob a instrução do mestre Mifune conseguiu título de graduado. Atualmente, as aulas na academia Terazaki são ministradas pelo sensei Celso Tochiaki Kano, que foi aluno do mestre Terazaki e segue os passos.
Em 1928, mestre Terazaki casou-se com D. Kiyoe, tendo como padrinho o professor Futakawa. Kiyoe trabalhava na Kanebo, uma empresa de tecelagem e fiação, que mais tarde Terazaki conheceu o presidente por meio da esposa e quando este iniciou a exploração na região da Amazônia, Terazaki colaborou na convocação de voluntários para a imigração. Além de convocar, decidiu participar da imigração chegando em Belém no Pará, em 1929. Sua chegada, marcada pela epidemia de malária e o poço em que utilizavam para estava infestado de amebas. Na época, dezenas de pessoas morreram, incluindo Teruko, a filha de Terazaki.
Em 1933, da ligação que teve com Katsutoshi Naito em Tóquio no Kodokan, veio a influência da vinda a Suzano, onde após quatro anos na Amazônia, chega a cidade, onde atua no cultivo de morangos na plantação de Naito.
Enquanto atuava na agricultura, crescia a fama de sua técnica como judoca e frequentemente era convidado a ensinar a arte marcial em Suzano. Em 1934, após um ano de trabalho na plantação de Naito, Terazaki compra um terreno no Bairro da Vila Urupês, em Suzano, onde abriu uma academia de judô e também fazia atendimento a todos os casos de fratura óssea e técnica ortopédica em geral de forma voluntária.
Após a II Guerra Mundial, foi organizada uma associação de graduados em judô. O presidente foi Katsutoshi Naito e Terazaki era vice. Com o aumento de adeptos veio a seguir a necessidade de organizar a Federação Nacional de Judô.
Das demonstrações da modalidade a Marinha veio a introdução da modalidade no exército. Na mesma época com o apoio de seus discípulos, amigos, iniciou-se campanha para angariar recursos para a construção da academia. Os resultados discípulos abriram academias por Estados brasileiros como Rio de Janeiro, pelo exercito, polícia
Outra faceta pouco conhecida do mestre é a fama de deus do Izumo, ou [Santo Antônio], o santo casamenteiro pela facilidade de unir casais, que foram ao menos 400.
Pelos trabalhos prestados a policia militar do Rio de Janeiro, a academia de Agulhas Negras e a policia rodoviária recebeu várias condecorações. Em 1958 recebeu titulo de cidadão suzanense.

Os três princípios

Os princípios que inspiraram Jigoro Kano quando da idealização do judô foram os três seguintes:
  • Princípio da máxima eficiência com o mínimo de esforço (seiryoku zen’yo)
  • Princípio da prosperidade e benefícios mútuos (jita kyoei)
  • Princípio da suavidade, ou seja, o melhor uso de energia (ju)

Graduações

Os judocas são classificados em duas graduações: kiu e dan[5].
As promoções no judô baseiam-se em exames que incidem sobre requisitos tais como: duração de tempo de treino, idade, caráter moral, execução das técnicas especificadas nos regulamentos[6] e comportamento em competições. No caso de promoção de kiu(classificação), faixa branca a marrom é outorgada pela associação, no caso de promoção as graduações de dan, até 5º dan são realizadas pela banca examinadora da Liga ou Federação Estadual, as outras graduações superiores pela Confederação Nacional.
Os graus no Judô dividem os alunos nos grupos: Dangai (da faixa branca à marrom)[6] Yudan (do 1º ao 5º Dan) [6]Kodanshas (faixa "coral" e faixa vermelha)[6]. O mais alto grau concedido é a extremamente rara faixa vermelha Judan (10º Dan) que até o ano de 2009 fora concedida apenas a 15 homens, sendo que até a referida data 3 ainda eram vivos (Toshigo Daigo, Ishiro Abe, Yoshimi Osawa) os três promovidos dia 08/01/2006 pelo Kodakan. Em 2010, o judoca britânico George Kerr recebeu a promoção de 10º Dan pelaFederação Internacional de Judô, sendo o único deste grau ainda vivo[7].

Graduações kyu

Há oito graus de kyu (seis em Portugal)[8], os quais se distinguem pelas cores das faixas:
KYU
00 KYU.Mukyu.Faixa Branca. (+)
07º KYU.Nanakyu ou ShichikyuFaixa Cinza. - (*)
06º KYU.Rokukyu.Faixa Azul. - (*)
05º KYU.Gokyu.Faixa Amarela. (**) - (++)
04º KYU.Yonkyu. ou Shikyu.Faixa Laranja./ Abóbora.
03º KYU.Sankyu.Faixa Verde.
02º KYU.Nikyu.Faixa Roxa.
01º KYU.Ikyu.Faixa Marrom. (*+)
OBSERVAÇÕES
(*) Apenas para pessoas com menos de 18 anos de idade.
(+) Todo judoca inicia no judô nesta faixa.
(**) Segunda faixa para os judocas com mais de 18 anos de idade.
(++) Quarta faixa para os judocas com menos de 18 anos de idade.
(*+) Última (sétima ou nona) faixa para o judoca.
Cores das Faixas na Europa
Branca
Judo white belt.svg
AmarelaJudo yellow belt.svg
Azul EscuraJudo dark blue belt.svg
LaranjaJudo orange belt.svg
VerdeJudo green belt.svg
MarromJudo brown belt.svg
PretaJudo black belt.svg
[9]
Cores das Faixas em Portugal
BrancaJudo white belt.svg
AmarelaJudo yellow belt.svg
LaranjaJudo orange belt.svg
VerdeJudo green belt.svg
AzulJudo blue belt.svg
MarromJudo brown belt.svg
PretaJudo black belt.svg
[8]
Cores das faixas no Brasil
BrancaJudo white belt.svg
CinzaJudo grey belt.svg
AzulJudo blue belt.svg
AmarelaJudo yellow belt.svg
LaranjaJudo orange belt.svg
VerdeJudo green belt.svg
RoxaJudo purple belt.svg
MarromJudo brown belt.svg
PretaJudo black belt.svg
[10]

Graduações dan

As graduações de dan avançam de modo crescente, ao contrario das graduações kyu, indo do 1º dan (shoudan) ao 10º dan (juudan). Esses graus se diferenciam pelas seguintes cores das faixas:
DAN
 DANShoudan ou IchidanFaixa Preta
 DANNidanFaixa Preta
 DANSandanFaixa Preta
 DANYondan ou ShidanFaixa Preta
 DANGodanFaixa Preta
 DANRokudanFaixa Vermelha e Branca
 DANNanadan ou ShichidanFaixa Vermelha e Branca
 DANHachidanFaixa Vermelha e Branca
 DANKyuudan ou KudanFaixa Vermelha
10º DANJuudanFaixa Vermelha

Pontuação

O objetivo é conseguir ganhar a luta valendo-se dos seguintes pontos:
  • Yuko - Um terço de um ponto. Um yuko se realiza quando o oponente cai de lado, ou quando é imobilizado por 15 segundos;
  • Wazari - Meio ponto. Dois wazari valem um ippon e termina o combate logo após o segundo wazari. Um wazari é um ippon que não foi realizado com perfeição. Também ganha wazari se conseguir imobilizar o oponente por 20 a 24 segundos;
  • Ippon - Ponto completo. O nocaute do judô, finaliza o combate no momento deste golpe. Um ippon realiza-se quando o oponente cai com as costas no chão, ao término de um movimento perfeito, quando é finalizado por um estrangulamento ou chave de articulação, ou quando é imobilizado por 25 segundos.

Penalizações

shido é a penalização mais fraca do judô. É uma advertência que não gera pontos ao adversário [11].
chui é atribuído quando se comete uma infração um pouco mais grave, ou quando é atribuído um segundo shido.
keikoku é atribuído quando se comete uma infração grave, ou quando é atribuído um shido quando já se tem chui, mas que não chega para terminar o combate.
hansoku-make é atribuído quando se comete uma infração muito grave, de forma que esse combatente que sofre castigo é expulso e o outro vence

Formas de saudação (Hei)

A prática do judô é regida por cortesia, respeito e amabilidade. A saudação é o expoente máximo dessas virtudes sociais. Através dela expressamos um respeito profundo aos nossos companheiros. No judô, há duas formas de expressarmos: tati-rei ou ritsu-rei (quando em pé) e za-rei (quando de joelhos). Esta última é conhecida por saudação de cerimônia. Efetua-se as seguintes saudações:
Tachi-rei ou Ritsu-rei
Ao entrar no dojô bem como ao sair; Quando subir no tatami para cumprimentar o professor ou seu ajudante; Ao iniciar um treino com um companheiro, assim como ao terminá-lo.
Za-rei
Ao iniciar, bem como ao terminar o treinamento; Em casos especiais, por exemplo, antes e depois dos KATA; Ao iniciar um treino no solo com o companheiro, bem como ao terminá-lo.

Técnicas

Na aplicação de waza (técnicas), tori é quem aplica a técnica[12] e uke é aquele em que a técnica é aplicada[12]. As técnicas do judô classificam-se em:
TécnicaDescrição[13][14][15]
Nage-Waza[16]técnicas de arremesso
Tachi-Waza[16]técnicas em pé
Te-Waza[16]técnicas de braço
Koshi-Waza[16]técnicas de quadril
Ashi-Waza[16]técnicas de perna
Sutemi-Waza[16]técnicas de sacrifício
Mae-sutemi-Waza[16]técnicas de sacrifício para frente
Yoko-sutemi-Waza[16]técnicas de sacrifício para o lado
Katame-Waza[16]técnicas de domínio no solo
Ossaekomi-Waza ou Ossae-Waza[16]técnicas de imobilização
Shime-Waza[16]técnicas de estrangulamento
Kansetsu-Waza[16]técnicas de luxação ou chave de braço
Atemi-Waza[16]técnicas de ataque nos pontos vitais

Exercícios básicos

No judô cada professor pode estabelecer o seu sistema de exercício, o plano geral de treinamento é o seguinte:
Taiso
Exercício de aquecimento, visa aquecer e tornar o corpo mais flexível, desenvolvendo também a musculatura.
Ukemi-No-Waza
Técnicas de amortecimento de queda (rolamentos).
Uchikomi ou Butsukari
Treinamento de entradas de técnicas de projeção.
Tando-Geiko
Treinamento sombra, também conhecido como Tendoku-renshiu "sombra". É o equivalente ao uchi-komi (entrada de golpes) porém sem parceiro.
Nage-Ai (pronuncia-se nague ai)
Projeções alternadas. Treinamento em duplas, alternadamente cada um projeta (derruba) o companheiro de treino.
Kakari-Geiko (pronuncia-se kakari gueiko)
Treinamento defensivo. Nesse tipo de treinamento um dos componentes da dupla é designado a defender e o outro a atacar.
Yaku-Soku-Geiko (pronuncia-se yaku soku gueiko)
Projeções livres com movimentação. Treinamento com muita movimentação e projeção sem defesa ou disputa de pegada.
Handori (pronuncia-se randori)
Treino livre, "simula" ou reproduz o "Shiai" (competição), pelo qual a aplicação das técnicas é praticada contra um parceiro, atacando e defendendo, a diferença básica é que ocorre de forma mais "solta" mais "livre" que nas competições propriamente ditas.
Shiai
Competição. Exige muita habilidade técnica, tática, preparação física e mental. Atualmente as competições de alto nível envolvem a participação de diversos profissionais, não somente mais de um "Sensei", entre eles: preparador físico (geralmente especialista em fisiologia do exercício e/ou treinamento esportivo) nutricionista, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros. As técnicas já dominadas no randori devem ser aplicadas sob um determinado conjunto de regras, sujeitas à pontuações que devem ser avaliadas por três árbitros (um central mais dois laterais).

Kata

É um conjunto de técnicas fundamentais, um método de estudo especial, para transmitir a técnica, o espírito e a finalidade do judô.
/

Nage-no-kata

É o primeiro kata do judô; compõe-se de quinze projeções divididas em cinco grupos de técnicas:
Te-WazaUki-otoshiIppon-seoi-nageKata-guruma
Koshi-wazaUki-goshiHarai-goshiTsurikomi-goshi
Ashi-wazaOkuriashi-haraiSasae-tsurikomi-ashiUchimata
Ma-sutemi-wazaTomoe-nageUra-nageSumi-gaeshi
Yoko-sutemi-wazaYoko-gakeYoko-gurumaUki-waza

Ideologias e espíritos

  • Quem teme perder já está vencido. [17]
  • Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo humildade.
  • Quando verificares com tristeza que não sabes nada, terás feito teu primeiro progresso no aprendizado.
  • Nunca te orgulhes de haver vencido a um adversário, ao que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.
  • O judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar.
Conhecer-se é dominar-se, dominar-se é triunfar.
  • O judoca é o que possui inteligência para compreender aquilo que lhe ensinam e paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes.
  • Saber cada dia um pouco mais e usá-lo todos os dias para o bem, esse é o caminho dos verdadeiros judocas.
  • Praticar judo é educar a mente a pensar com velocidade e exactidão, bem como o corpo obedecer com justeza.
  • O corpo é uma arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência.

Cinco fundamentos

  • →Shinsei (postura)
Existem dois tipos de postura no judô Shisentai, que é a postura natural do corpo e Jigotai, que é a postura defensiva
  • → Shintai (movimentação)
Ayumi-ashi, andando normalmente.
Suri-ashi, andando arrastando os pés.
Tsugi-ashi (apenas em katas), que anda-se colocando um pé a frente e arrastando o outro, sem ultrapassar o primeiro.
  • → Tai-sabaki (deslocamento de corpo / tai = corpo; sabaki = deslocamento)
Pode ser: Mae-sabaki (para frente), Ushiro-sabaki (para trás) ou Yoko-sabaki (para os lados)
  • → Kumi-Kata (pegadas, formas de pegar)
Existem inúmeros tipos de pegadas, sendo apenas proibida a pegada por dentro da manga e por dentro da barra da calça.
A pegada pode ser feita no eri (gola), sode(manga) e, desde que haja o desequilíbrio do adversário ou o adversário esteja fazendo a pegada cruzada (manga e gola do mesmo lado), no chitabaki(calça). Pode ser de direita (migui) ou de esquerda (hidari). Variando entre canhotos e destros, embora para algumas projeções se use a pegada de lado contrário ao qual se vai atacar.
  • → Ukemi (amortecimento de quedas)
Os "rolamentos" são fundamentais para a segurança do praticante, a física explica: estas técnicas "dissipam" a energia cinética que, se fosse transferida na sua totalidade para os órgãos internos, poderia causar prejuízo à saúde.
Os ukemis são : Ukemi Zenpo kaiten -> Zenpo ( rolamento) kaiten ( rotação) , logo ukemi que você rola e gira. Ushiro ukemi -> Ushiro ( para trás) , logo ukemi para trás. Mae ukemi -> Mae ( para frente) , logo ukemi para frente. Yoko ukemi -> Yoko ( para o lado) , logo ukemi para o lado.

Fases da projeção

  • 1º Kuzushi (quebra, desequilíbrio)[18]
  • 2º Tsukuri (construção, preparação, encaixe)
  • 3º Kake (colocação, execução)
  • 4º Zanchin (finalização, definição)

Referências

  1. ↑ a b A história do Judô. Página visitada em 10 de abril de 2011.
  2. ↑ a b c História do judo. Página visitada em 10 de abril de 2011.
  3.  Título não preenchido, favor adicionar.
  4.  A chegada do Judô no Brasil - Conde Koma.
  5.  Graduação do Judô.
  6. ↑ a b c d Graduação no Judô.
  7.  George Kerr.
  8. ↑ a b Regulamentos de Graduação.
  9.  Obi Faixas e Graduações.
  10.  Ordem das Faixas ( Padrão Nacional).
  11.  ARTIGO 27 ATOS PROIBIDOS E PENALIDADES.
  12. ↑ a b UKE - TORI (NAGE).
  13.  Miarka, B, Calmet, M & Franchini, E (2008), ‘FRAMI – Software for analysis techniques and tactics in judo. In: 9° Congrés Jorrescam, Toulouse.
  14.  Miarka, B., Júlio, U.F., Vecchio, F.B.D., Calmet, M. and Franchini, E. (2010). Técnica y táctica en judo: una revisión. Asian Martial Arts, 5, 427-431
  15.  MARQUES, J.B.; MIARKA, B.; INTERDONATO, G.C.; LUIZ, C.C.Jr. Aspectos históricos do judô olímpico. In: 1º Encontro da ALESDE “Esporte na América Latina: atualidade e perspectivas”, Curitiba, 2008.
  16. ↑ a b c d e f g h i j k l m divisão das técnicas do judô.
  17.  http://judoadcm.com/ideologias.html
  18.  http://www.familiajudo.com.br/site/arquivos/manual_judo_1.4.pdf